73 milhões de negativados: o que esse recorde histórico significa para o mercado de crédito

O Brasil bateu recorde histórico de inadimplência em 2025: 73 milhões de pessoas negativadas, segundo a CNDL. Entenda o que esse número significa para quem concede crédito, opera no varejo financeiro ou trabalha com cobrança e o que muda na sua análise de risco.

Em novembro de 2025, o Brasil registrou 73 milhões de pessoas físicas inadimplentes — o maior número da história. Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Isso representa 43,7% da população adulta do país.

Em paralelo, 80,2% das famílias brasileiras declararam ter alguma dívida em fevereiro de 2026, também recorde histórico da série iniciada em 2010.

Para quem trabalha com crédito, cobrança ou varejo financeiro, esses números não são apenas estatística. Eles definem o perfil de risco do cliente que chega até você todos os dias.

Por que chegamos a esse número?

O ciclo atual de inadimplência não aconteceu do dia para a noite. Ele é resultado de uma combinação de fatores que se acumularam ao longo dos últimos anos — e entender essa origem é fundamental para antecipar o que vem pela frente.

O principal motor foi a taxa Selic, elevada a partir de setembro de 2024, que pressionou o custo do crédito livre às famílias. Nas novas concessões, a taxa média chegou a 56,3% ao ano. Na prática, isso significa que quem precisou refinanciar uma dívida antiga ou contratar crédito novo passou a pagar muito mais caro. O resultado segue um ciclo clássico: crédito mais caro, refinanciamento inviável, inadimplência crescendo com defasagem de 9 a 12 meses.

Há ainda um fator estrutural que agrava o quadro. O encerramento dos programas de renda emergencial em 2022 retirou um colchão artificial que sustentava o pagamento das famílias. Quando o consumo retomou o ritmo, a renda não acompanhou no mesmo passo — e o endividamento que se formou não é conjuntural. É estrutural.

O dado que mais preocupa analistas de crédito: 84,91% dos inadimplentes são reincidentes, segundo o SPC Brasil. Não estamos falando de um choque isolado. Estamos falando de um comportamento que se repete — e que tende a se aprofundar quando as condições de renda não melhoram.

Quem está mais exposto?

Os dados revelam padrões claros de concentração de risco. Ignorá-los é operar no escuro.

A classe D/E, com renda familiar de até 3 salários mínimos, é a mais vulnerável: 81% das famílias estão endividadas e 36,9% têm dívidas em atraso. O principal instrumento de endividamento é o cartão de crédito rotativo — o produto mais caro do mercado financeiro brasileiro, com juros de 450,6% ao ano. A combinação de renda limitada com juros elevados cria um ciclo vicioso de difícil saída.

A classe C, considerada historicamente o “coração do consumo brasileiro”, apresentou o maior crescimento relativo de inadimplência nos últimos 12 meses — alta de 2,8 pontos percentuais. É o grupo que mais puxou o avanço do endividamento em fevereiro de 2026. Para quem concede crédito com foco nesse perfil, revisar a política de aprovação deixou de ser opcional.

Por faixa etária, a concentração mais expressiva está entre 30 e 39 anos, que representa 23,4% de todos os negativados do país. Não é coincidência: é a fase em que as obrigações financeiras se acumulam simultaneamente — financiamento de imóvel, carro, educação dos filhos e consolidação de carreira.

O recorte de gênero também traz uma nuance importante para o varejo financeiro. Mulheres lideram as negativações em termos absolutos. Mas no crediário do varejo, são os homens que apresentam inadimplência 2,5 pontos percentuais maior. Isso impacta diretamente a política de aprovação de qualquer empresa que trabalhe com crediário próprio.

O que isso muda na análise de crédito?

O cenário descrito acima não é apenas um problema macroeconômico. Ele chega diretamente à mesa de quem analisa crédito, define limites e toma decisões de concessão todos os dias. Há três implicações práticas que não podem ser ignoradas.

1. Score de bureau não é suficiente.

O score captura o momento — uma fotografia do histórico recente do cliente. Ele não mostra se o endividamento está crescendo ou caindo, em quais modalidades a pessoa está se comprometendo, nem qual é a pressão de curto prazo sobre o seu fluxo de caixa. O SCR do Banco Central, por outro lado, consolida o histórico de 12 meses em todo o sistema financeiro nacional — e revela a trajetória, não apenas o ponto de chegada.

2. O perfil de risco do cliente mudou.

A classe C, que durante anos foi tratada como perfil de risco médio ou baixo, hoje concentra a maior aceleração de inadimplência do país. Políticas de crédito calibradas para o cenário de dois ou três anos atrás estão desatualizadas. Quem não ajustou os parâmetros está aprovando operações com risco maior do que imagina.

3. A cobrança precisa ser preditiva.

Com reincidência acima de 84%, esperar os 90 dias para agir é tarde demais. Quando o atraso já está consolidado e a negativação registrada, as chances de recuperação caem drasticamente. O diferencial das operações mais eficientes está em identificar sinais de deterioração antes do vencimento — e agir enquanto ainda há margem de negociação.

O que fazer com essa informação?

O Brasil tem 73 milhões de pessoas inadimplentes. Esse número vai crescer ou cair dependendo das decisões que o mercado de crédito tomar nos próximos meses.

Empresas que combinam tecnologia de dados com inteligência de análise saem na frente — não apenas para proteger suas carteiras, mas para identificar oportunidades onde outros enxergam apenas risco. Um cliente com score baixo pode ter um SCR saudável. Um cliente com score alto pode estar com o endividamento crescendo há seis meses. A diferença entre essas duas leituras é exatamente o que separa uma decisão informada de uma aposta.

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